sexta-feira, 9 de abril de 2021

 

Homens invadem rádio comunitária em Pernambuco e ameaçam agredir radialista que criticou Bolsonaro

 


Quatro homens, que não tiveram a identidade revelada, invadiram o estúdio da Rádio Comunitária Comunidade, da cidade de Santa Cruz do Capibaribe, no agreste de Pernambuco, na noite do dia 6 de abril. Na ocasião, os invasores, que se diziam apoiadores do Presidente Jair Bolsonaro, ameaçaram agredir o radialista Júnior Albuquerque por ter criticado ações do governo federal com relação ao combate à pandemia do Covid 19. O radialista declarou que faz um programa opinativo na Rádio Comunidade, e pautou o caso grave das mais de 300 mil mortes por Covid-19 no Brasil. Ele fez um comentário, expondo seu ponto de vista sobre a notícia.

 

A agressão não se concretizou porque colegas de bancada do radialista conseguiram deter os invasores. Sobre o episódio, a Associação das Empresas de Rádio e Televisão de Pernambuco (Asserpe) emitiu uma nota condenando o que classificou como "invasão de um estúdio de rádio" que pode abrir um "perigoso precedente que ameaça todos os veículos". Mesmo sendo uma rádio comunitária, fora do circuito das rádios comerciais, a entidade que representa as rádios comerciais fez questão de divulgar o manifesto de repúdio à violência cometida pelos partidários de Jair Bolsonaro a um órgão de imprensa.

Segundo a Associação das Empresas de Rádio e Televisão de Pernambuco, "o fato abre um perigoso precedente que ameaça todos os veículos, inclusive comerciais. O que está em jogo é a liberdade de opinião e liberdade de imprensa”, acrescentou a nota.

A Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária também emitiu nota de repúdio, classificando como ato criminoso a ação dos invasores, “fatos que têm se tornado recorrentes no cenário brasileiro”.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Artistas de circo recebem ajuda dos artistas da palavra

 


Os artistas de um circo armado no Conjunto José Américo, em João Pessoa, estão sem bilheteria há mais de um ano, e não tiveram nada para comemorar no dia 27 de março, Dia Nacional do Circo. A pandemia de covid-19 mudou completamente o cotidiano de quase 10 mil brasileiros que se sustentavam dos rendimentos obtidos a partir de suas apresentações debaixo da lona.

Os artistas de circo tiveram que se reinventar, abandonando suas atividades como palhaços, malabaristas, acrobatas, contorcionistas, equilibristas, ilusionistas e outros. Alguns vendem nas ruas, outros chegam a pedir alimentos para sobreviver. Para ajudar esses trabalhadores do palco, poetas de cordel estão doando cestas básicas, como é o caso de Raniery Abrantes. “Eles sentem a falta do calor humano das plateias, dos aplausos, e nós agora é que temos que auxiliar esses brasileiros com o calor da solidariedade”, afirmou Raniery.

O setor cultural foi um dos primeiros a sentir o impacto da pandemia. Cinemas, teatros, casas de shows, circos e outros espaços voltados para a arte ficaram impossibilitados de reunirem público. Um auxílio emergencial para garantir uma renda mínima para uma parcela da população brasileira foi aprovado no Congresso Nacional em março do ano passado. Ele foi pago pelo governo federal em nove parcelas entre abril e dezembro de 2020: nos primeiros cinco meses, o valor era de R$ 600 e, nos outros quatro, caiu para R$ 300.

Os repasses foram feitos a maiores de 18 anos sem emprego formal e com renda inferior a maio salário mínimo, que não estivessem recebendo benefício previdenciário ou assistencial e que tenha tido, no ano anterior, rendimento tributáveis abaixo de R$ 28,5 mil. Muitos artistas circenses se enquadravam nessas condições. Na semana passada, o governo federal instituiu por medida provisória um novo auxílio de quatro parcelas, com valores mais baixos, entre R$ 150 e R$ 375, e com pré-requisitos novos que reduziram o número de beneficiários.

Uma ação emergencial específica para o setor cultural também saiu do papel em junho do ano passado. Trata-se da Lei 14.070/2020, que ficou conhecida como Lei Aldir Blanc em homenagem ao compositor que faleceu devido a complicações da covid-19 logo no início da pandemia. Articulada no Congresso Nacional, ela foi aprovada com apoio de parlamentares da base do governo e da oposição.

Através dela, a União ficou responsável por repassar aos estados e municípios R$ 3 bilhões, que poderiam ser empregados de diferentes formas: renda emergencial aos artistas, subsídios para manutenção de espaços, empresas e instituições culturais, editais para realização de eventos ou para produção cultural, entre outros.

Artistas de circo tiveram acesso a recursos públicos do auxílio emergencial e também da Lei Aldir Blanc. Segundo eles, os repasses são bem inferiores aos rendimentos que o circo daria se estivesse funcionando, mas dão um desafogo. Porém, manifesta preocupação com a situação a longo prazo, sobretudo, pelas exigências do Poder Público.

"A subvenção nos coloca numa situação complexa, pois temos que oferecer uma contrapartida e temos que prestar contas. Então, os mesmos governos que te exigem a contrapartida são também os que não dão autorização para o funcionamento. Imagine um circo pobre onde está faltando comida. A família quer usar o dinheiro pra se alimentar. Mas não pode, tem que usar esse dinheiro pra comprar uma lona nova para o circo. Isso ajuda em que? Não adianta ter dinheiro na conta e não ter comida na mesa. É emergencial. Se a situação se prolongar e não for possível reabrir o circo, em algum momento, o circense vai precisar desse dinheiro para sobreviver", avalia um artista circense.

 

Rádio Comunitária de João Pessoa (PB) debate remoção de moradores da comunidade São Rafael


Moradores em habitações precárias correm perigo na comunidade São Rafael


A Rádio Comunitária Voz Popular, da comunidade São Rafael de João Pessoa, através do seu Instituto Voz Popular, esteve participando na última quarta-feira (24) de reunião com a Prefeitura Municipal de João Pessoa, para discutir o Projeto João Pessoa Sustentável.

A reunião, que teve participação de lideranças das comunidades do Complexo Jaguaribe, também contou com representantes do Ministério Público e da Defensoria Pública, além dos membros do projeto João Pessoa Sustentável e Professores da UFPB.

O debate que aconteceu de forma remota, tratou de temas pertinentes ao Projeto João Pessoa Sustentável, que irá urbanizar as oito comunidades do Médio Jaguaribe, da comunidade São Rafael ao Bairro São José, removendo mais de 850 famílias de todas as comunidades.

Segundo os representantes da Prefeitura de João Pessoa, os terrenos onde serão construídos os condomínios habitacionais já estão em fase de compra e as obras deverão começar em abril deste ano e vão até 2024, quando finaliza o projeto.

Segundo a Prefeitura, as famílias serão relocadas até esta data e quem possuir comércio e for relocado poderá optar em morar num apartamento com um cômodo a mais que servirá como ambiente comercial.

Segundo Flávio Gomes, Diretor geral da Rádio Voz Popular, "o Instituto Voz Popular está desde 2019 cobrando maiores informações sobre o Projeto João Pessoa Sustentável, para que as famílias não sejam pegas de surpresa, como já acontece em outras comunidades, no caso, por exemplo, da Comunidade Porto do Capim no Varadouro, e vamos continuar cobrando transparência na execução do projeto."

 

sexta-feira, 26 de março de 2021

Gari de Guarabira lança livro sobre literatura de cordel

 

Paulo Gracino com Elizângela Frazão


O cordelista Paulo Gracino, de Guarabira, lançou seu livro ““A escrita do cordel e alguns pitacos” nesta sexta-feira (26). Ele é agente de limpeza no município e conhecido pela liderança que exerce na sua categoria. Para Fábio Mozart, da Academia de Cordel do Vale do Paraíba, o fato demonstra a força do gênero poético popular, independente de classe social ou escolarização. “Essa notícia que vem de Guarabira é um fato muito interessante porque fala de inclusão, de respeito, de cultura popular e de superação. O gari Paulo Gracino, ao lançar seu livro sobre cordel, tem o respeito dos seus conterrâneos pela inteligência e capacidade de sobrelevação, apesar dos entraves econômicos e sociais”, afirmou.

Paulo é cordelista e líder de sua categoria em Guarabira. Normalmente se pensa o gari como um profissional sem muita qualificação, uma pessoa que não teve oportunidade de estudar e ocupar bons empregos, uma posição social mais alta. Mas, no caso de Paulo Gracino, ele se formou na escola do cordel e foi através da leitura e escrita do cordel que ele conseguiu ser líder dos garis, estando na linha de frente na luta por vacinas para esses agentes de limpeza, com prioridade.

O livro de Paulo Gracino foi editado através da Lei Aldir Blanc. O cordelista gari deu entrevista hoje (26), sexta-feira, na rádio comunitária Nordeste, de Guarabira, contando as dificuldades de sua profissão, ainda muito excluída, e sua paixão pela literatura de cordel.

 

terça-feira, 9 de março de 2021

Cordelista inspira novos talentos entre jovens de Bananeiras (PB)

 

“Cordel de Bananeiras”, trabalho de Fábio Mozart lançado recentemente na cidade do mesmo nome, no Brejo da Paraíba, acabou inspirando estudantes a escreverem poesia popular com temática sobre fatos da atualidade. A estudante Rafaela (foto) confessou que gosta de escrever cordéis e sempre tem destaque em sua escola na produção desse gênero. “Achei muito interessante o trabalho de Fábio Mozart sobre minha cidade, distribuí com meus colegas e penso que isso contribui para ter mais poesia como atividade em sala de aula”, afirmou.

O folheto “Cordel de Bananeiras” circulou nas instituições culturais e públicas da cidade, a exemplo do Espaço Cultural Oscar de Castro, Museu Municipal Desembargador Semeão Cananéia, localizado na histórica Estação Ferroviária, e na Câmara Municipal, onde os vereadores bananeirenses receberam exemplares do folheto. O vereador Kilson Dantas cumprimentou o autor Fábio Mozart, agradecendo pelo estímulo à difusão da cultura local e celebração da valorização da literatura regional.

Fábio Mozart é autor de cerca de 40 folhetos e livros de crônica, poesia, história regional, radiofonia e teatro. Seu cordel “Biu Pacatuba, um herói do nosso tempo” recebeu o Prêmio Patativa de Assaré do Ministério da Cultura.

 

 

segunda-feira, 8 de março de 2021

Associação cultural de Itabaiana lança terceiro número de jornal impresso



A Associação Cultural Memória Viva, de Itabaiana (PB), lançou o número três do jornal O Memória, periódico que informa sobre as atividades da instituição. A edição foi patrocinada pelos editais da Lei Aldir Blanc. O jornal destaca a eleição do fundador da entidade, Luciano marinho, para vereador do Município e a realização do II Seminário de Educação Patrimonial em Itabaiana, em março deste ano, de forma virtual, entre outras matérias.

A Associação Memória Viva, formado por amigos e filhos de Itabaiana(PB) vem, desde o ano 2010, realizando trabalhos de pesquisa com vistas à preservação da cultura e da memória da cidade e organizando eventos culturais.

A Memória Viva é uma associação civil de direito privado, sem fins lucrativos, tendo como objetivos, entre outros: promover a identidade cultural do município, valorizando seus bens materiais e imateriais; produzir ações de resgate da memória histórica passada e preservação da história contemporânea; implementar programas que possibilitem o pleno exercício da cidadania política, econômica e cultural para o desenvolvimento da qualidade de vida da população. A entidade é presidida atualmente pela historiadora Cinthia Cecília.

 

sábado, 6 de março de 2021

Livro de crônicas ‘Retrato molhado’ é lançado por Fábio Mozart

 

O jornalista e cordelista da Academia de Cordel do Vale do Paraíba, Fábio Mozart, lançou o livro de crônicas ‘Retrato molhado’ pela Editora Clube dos Autores. A obra se compõe de trabalhos publicados pelo autor no seu blog Toca do Leão e no jornal A União, de João Pessoa, abordando temas da atualidade, arte e cultura e episódios acontecidos em sua cidade adotiva, Itabaiana, já que ele é pernambucano de Timbaúba e radicado na Paraíba há mais de cinquenta anos. No livro foram incluídas crônicas inéditas com temas variados e atemporais.

O poeta Bento Júnior prefaciou a obra. “Meu compadre Fábio Mozart tem uma biografia portentosa, à luz da cultura paraibana. Criou grupos teatrais em cidades e no campo, com o Movimento de Trabalhadores Rurais, ergueu casas de espetáculo, escreveu peças, poetizou a vida, criou a Academia de Cordel e botou fogo no movimento de rádios livres e comunitárias. Tenho o prazer de trabalhar com ele no rádio e nas lides poéticas, numa parceria assim um tanto quixotesca em meio ao obscurecimento da cultura neste país nos últimos tempos”,  testemunhou Bento Júnior.

Com 116 páginas, o livro pode ser adquirido pela internet no endereço eletrônico:

https://clubedeautores.com.br/livro/retrato-molhado?fbclid=IwAR3uBhVaHs74W7thRkwTw8dMUq9zhODC2pxVnIOrBnVzw_MdjfEg5MrY2dc